Total de visualizações de página

domingo, 30 de janeiro de 2011

8º pensamento:

Recordando o colecionador de figurinhas,

Estive dando um passeio entre minhas memórias e lembrei de uma pessoa que a algum tempo mexeu muito comigo. Nós éramos crianças, estudávamos juntos, éramos como melhores amigos, conversávamos sobre tudo, até sobre futebol. Costumávamos trocar figurinhas (foi ele que completou meu álbum da copa de 2006). Na verdade eu nunca troquei figurinhas com ele, ele me doava elas e nunca pediu nada em troca. Atitude interessante de um garoto colecionador de figurinhas.
Em um certo dia chuva, após o termino da aula, passeávamos pela calçada com os nossos guarda-chuvas, enquanto aguardávamos nossos pais. Ele começou a me contar sobre uma garota na qual ele gostava fazia um tempo, mas tinha medo de contar pra ela ou de que ela não gostasse dele. Começou a se abrir pra mim, parecia meio triste, e para consolá-lo eu comecei a dar conselhos espontâneamente. Disse pra ele contar para a "tal garota" o que ele sentia, pois se não contasse nunca saberia ao certo o que ela sentia por ele. Eu, particularmente, comecei a sentir uma coisa que nunca havia sentido por ele: ciúme. Aí, com um pouco de insegurança, eu perguntei para ele quem era essa tal garota, porque eu era sua melhor amiga e tinha o direito de saber. Então ele olhou pra mim, com tristeza nos olhos e disse: Estou com medo, mas sei que não vou ter tempo pra falar com ela.. Comecei a surtar. Passaram-se vários nomes pela minha cabeça, mas não entendia porque ele não teria tempo para falar com ela. Estávamos em junho na metade do ano e a única garota do colégio que ele não falaria era eu. Pensei, será? Não pode ser! Meu melhor amigo! O que farei eu? Não entendo nada de amor, de gostar, nunca nem beijei ninguém! Você gosta mesmo dessa menina? Perguntei. Ele respondeu, não é apenas gostar, eu acho que estou amando. O pai dele chegara logo após ele dizer isso. E eu não sabia o que dizer, era o ultimo dia, a última vez que olharia nos seus olhos. Ouvi a buzina. Ele disse, sem olhar para mim, tenho que ir. Sem reação, meus olhos se encheram de lágrimas. Ele entrou no carro. Seu rosto ficou confuso atrás das gotas escorrendo pelo vidro. E antes que seu pai fosse ele olhou para mim e apenas balbuciou as palavras: eu te amo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário